Agosto

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Agosto

Gosto dos dias de agosto
Do assovio do vento
Das cortinas que voam
E vidraças que gemem.
Do furor das árvores
E do barulho das folhas.
Do cheiro do vento.

Gosto de coisas estranhas. É da minha natureza.
O gosto de agosto de varrer.
É da natureza de ter-se agosto.
Varre gostos e desgostos, também.
Varre o tempo, as folhas velhas
Varre as ruas, a poeira dos bueiros,
Os papéis rasgados, amassados, apagados.

Revira tudo!
Cabelos alinhados,
Roupas no varal,
Lixeiras e latas amassadas,
Bebidas jogadas,
Guardanapos das mesas,
Garrafas de vinho.

Leva pensamentos, esconde imagens,
Bilhetes, telefonemas, mensagens.
Abraços e beijos ficam esquecidos.
Aeroportos sem esperas.
Cafés frios sobre mesas.
Cachecol ao vento.
E a porta do táxi que bate.

Até os mares e as grandes distâncias.
Chapéus da última estação.
Flores secas do outono.
Olhos fechados,
Sorrisos e risos e gargalhadas.
E todos os adeuses dados
E que não foram dados também.

Agosto limpa a rua,
A mente,
O telhado.
Troca a tua roupa.
A roupa da casa.
Limpa o tempo.
Vira a ampulheta.

Abre as portas para primavera
Gosto quando chega agosto.
Tem gosto para todos
Tem gosto para tudo
É do meu gosto!
Agosto!
A gosto da vida.

 

(Zaida Machado)